Os Tapetes.


     A sorte não era boa com ele. Parecia que quando os tapetes da vida começavam a ficar empoeirados, acostumados com a situação, decidiam-se, por conta própria, mudar de uma vez só tudo de lugar. 
O dinheiro de repente acabava, um bom amigo se tornava inimigo, e tudo o que passara meses planejando, ia por água abaixo. Mas não era culpa dele, nem do universo ou do Deus Mar. Era culpa dos tapetes. Eles não gostavam quando se empoeiravam. Gostavam, na verdade, da sensação de limpeza e recomeço. Apesar de toda a dor, bagunça, ira e decepção que o processo causava.
    Para ele, os tapetes existiam por uma razão importantíssima. Eles serviam para lhe lembrar todos os dias de que não há absoluta certeza de nada. Eram como se fossem suas próprias paranóias e seus próprios defeitos lembrando-o o tempo todo de que ele não era perfeito, de que poderia errar e que, se acontecesse, a culpa seria totalmente dele. Marcelo quando descobriu isto tudo, sorriu. Pois assim como todo mundo, ele tinha tapetes sob os pés e, apesar de não ter tido tanta sorte, e caído várias vezes com as movimentações dos tapetes inquietos, havia vivido. E histórias para contar não lhe faltavam.

Texto inspirado no meu Tio, que apesar de não conhecer tanto, adoro escutar suas histórias.

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