Dias sem dormir, as unhas roídas, olheiras e pálpebras tremendo. Insonia, abstinência... Os dois. Eu ainda me lembro.
Você não está tentando ao máximo.
Talvez.
Talvez se eu tentasse um pouco mais, esqueceria a linha do teu maxilar e do quão difícil era entrar na fortaleza dos seus sentimentos. A fortaleza que pouco se via de bom. Pouco se via de riso.
Você tem que continuar a tentar.
Tentar, tentar... A quanto tempo tento não tentar? Não adianta, sempre acabo lembrando do dia que te vi ali, no outro lado da rua.
Você não estava perto o suficiente.
Não, não estava perto o suficiente. Eu te via, você não. Para você, ali na outra calçada, encontravam-se apenas algumas almas qualquer vazias. Já eu. te via. Realmente te enxergava. Ao seu redor eu sentia uma fina linha de proteção. Por que? Pra que?
Tanto sentimento guardado na gaveta me entristece. Você tem de parar de engolir a chave desses cadeados.
Você não deveria ver o que os outros não querem mostrar.
Não, não deveria. Os dias sem dormir, as unhas roídas, olheiras e as pálpebras tremendo não são da minha conta.
Não são mesmo!
Mas agora é tarde demais.
O que?
A sua dor, não é apenas sua.
...
Agora eu já sei da sua insegurança, o jeito que os seus olhos bloqueiam as emoções. Os movimentos repetitivos, os fones de ouvido sempre ao alcance das mãos. Os cílios curtos e as marcas de sonhos quase abandonados em seus calos das mãos e dos pés de tanto caminhar em círculos.
Você não sabe de nada.
Quem dera eu se não soubesse e que não visse suas fraquezas.


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