Vomitar palavras.

   
    Seis da tarde em plena terça-feira. Infelizmente não era feriado e a Internet estava funcionando normalmente. Não havia nenhuma notícia ruim na TV. O mundo simplesmente parou por cinco segundos de fazer merda. Mas Luana teve a brilhante ideia de ser a primeira, nesse minusculo espaço de paz, a recomeçar a guerra.
    Sentou-se no sofá, abriu seu computador, e começou a digitar tantas palavras que nem mesmo o melhor pesquisador de enigmas descobriria o que aquela mulher cheia de raiva queria dizer.
    A verdade é que quando se ama, nada se tem conexão. E ela havia lembrado, enquanto tomava banho, do quando odiava um tal de Rafael. Odiava... Amava. Tem diferença? Bom, mas voltando ao foco: O motivo do ódio? Não se sabe. Simplesmente no tédio de uma terça-feira a tarde, ela decidiu falar tudo o que sentia.
18:43: "Eu não ligo se você já estiver com outra, eu já estou bem feliz sem você. Alias, vai se ferrar seu idiota infeliz macaco sem cérebro".
18:45: "E MESMO QUE VOCÊ FINJA QUE NÃO ESTÁ LENDO, EU SEI. TODO MUNDO SABE QUANDO ESTÁ SENDO IGNORADO".
    Ela fechou o computador, foi na cozinha, bebeu dois copos de água e comeu três bolachas do pacote. Andou inquieta por exatamente dois minutos e vinte e três segundos, então abriu o computador novamente. Nada de respostas. Nem mesmo um "visualizado" apareceu naquele quadradinho do chat. Ela resolveu então colocar sua música favorita, e começar a dançar aquela ritmo horrível. Luana melhorou. Luana foi dormir. Mas o seu celular apitou. Ele havia respondido.
Pronto. Uma cena do clipe da Britney Spears na época que o Justin Timberlake deu um baita de um pé na bunda dela, recomeçou a surgir naquele quarto de 20m². O que ele havia respondido? OK.
Quando se vomita palavras, por incrível que pareça, o objetivo é fazer com que a vítima faça o mesmo. Mas... Luana falhou. Luana chorou. Luana comeu mais cinco bolachas do pacote e, assim como Britney Spears, deu a volta por cima.

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