Amar no silêncio.

 
 Você não está falando nada, mas sente como se a sua garganta estivesse berrando a frase mais aguda existente no mundo. Você continua sentada, em frente a uma lousa, uma tela, onde só enxerga diversas palavras embaralhadas. Há pessoas ao seu redor, e você sabe disso, sente isso, e agradece por não estar sozinha porque é exatamente nessa hora, que se ama no silêncio.
    Tenho uma péssima notícia para você, personagem que ainda estou criando, talvez esse silêncio nunca se rompa. Talvez você continue pensando, por horas, dias, meses. Talvez você nunca esqueça, ou esqueça por uma semana e quando lembrar, ficará totalmente abalada. Não conseguirá nem fazer uma simples conta de multiplicação, e os seus sonhos vão ficar em quarto plano. Sim, quarto plano. Quando se ama no silêncio os murmúrios que aparecem sempre vão ficar como prioridade. E vão te chamar de idiota, oferecer mil e um caminhos. Como se amar no silêncio fosse fácil. Como se distrair a própria mente fosse fácil. Mas calma, a curiosidade de todos aqueles que estavam te ajudando vai acabar. A paciência vai acabar. Ninguém vai repetir pela décima vez que você precisa reagir. E é nessa hora, quando ninguém ligar mais, quando mais ninguém sentir pena, que você vai conseguir se reerguer aos poucos. É nessa hora que se passa a amar no silêncio a si mesmo.

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