Carta para alguém que queira ler.

 
    Antes de começar, peço desculpas. Preciso contar está história. Talvez algumas coisas mudem na sua mente, talvez você ache os meus sentimentos falsos, mas sinceramente: eu não ligo. O objetivo é contar o que diabos aconteceu comigo. E talvez aconteça com você.
    Bom... Tudo começou quando eu tinha quase treze. Eu era viciada em Elvis, odiava meu uniforme e economizava moedas para comer um pão de queijo qualquer no intervalo. Eu fazia parte de um grupo de seis amigos. Todos os dias, os vinte minutos do intervalo tratavam-se dos minutos mais divertidos da semana. Eu amava aquele pessoal como se fosse uma parte de mim. Só que, em uma linda manhã de sol, surgiu mais um no grupo de seis: Ele.
    Eu já o conhecia, era o garoto mais filho da puta do universo. Já tinha aconselhado e secado lágrimas de mais de 3 meninas por culpa daquele cara. E mesmo assim, me mantive ali. Engolindo em seco meu ódio, e passando a ignora-lo boa parte do tempo.
    É, eu realmente preciso falar sobre isso. Você ainda pode correr daqui, olha o "Ele" ali. Está em maiúsculo, e não se trata de Deus. Vai continuar a ler? Tudo bem. Eu avisei.
    Eu odiava as brincadeiras, a risada. Eu sempre estava por perto quando ele fazia alguma besteira. Sempre. Irônia? Não sei. Só sei que com a convivência mais próxima, passei a achar graça de alguns defeitos. E quando digo que ama-lo foi algo totalmente instantâneo e tão sem sentido quanto usar sapatilhas em trilhas, estou falando totalmente sério. Quando eu vi, já estávamos namorando a 1 ano juntos. E o tempo foi passando. Tivemos bons dias, e outros péssimos. Envelheci dois anos segurando em sua mão, recebi amor e dei amor. E percebi que Ele não era um completo filho da puta, ou ficou tão apaixonado por mim que virou outro cara. Ninguém mais o reconhecia. Eu o defendia em qualquer situação, e ele continuava do meu lado. Promessas e mais promessas, todos torciam, e os que não torciam pouco importava, era tão pouco que não atingia. Mas ai, acabou. É, acabou. E agora, tenho que admitir, e lembrando que é totalmente um saco ter que admitir isso, que do mesmo jeito instantâneo que eu amei aquele ser, eu deixei de amar.
    Sim. Eu não amo mais aquela voz, aqueles defeitos, a barba mal-feita. E meu deus, é um saco nem sentir mais ódio daquele nome. É um saco sentir indiferença por alguém que dediquei mil, e só merecia cem. É horrível alguém se tornar um nada pra você. Um 0, uma foto emoldurada guardada na gaveta que não te dá boas sensações. Mas isso acontece. Acontece diariamente, em muitos corações machucados. E eu não desejo que aconteça com você, mas se acontecer, tenho outra boa noticia: você vai amar de novo. E de novo. E de novo. E vai amar muito. Até encontrar alguém que não permita existir o próximo.
    E agora, lá vai outra confissão claro leitor. Eu que sei tão pouco de anatomia, preciso te contar que quando penso no meu mais novo amor, um calor bom surge na boca do meu estomago. De repente, o nome dele sai da ponta da minha caneta preferida. E quando eu menos espero, estou dando risada como se alguém tivesse acabado de cair na minha frente. E sim, é difícil esse conflito que surge dentro de mim entre passado e presente. É difícil admitir pra mim mesma, que estou gostando de outra pessoa. Eu me sinto mal, me sinto culpada, mas logo isso passa, porque não se pode insistir no mesmo erro duas vezes. Só queria dizer, que eu entendi a cura, meus amores. A cura, não é amar novamente. É se permitir deixar de amar aquilo que não te acrescenta nada.
    Agora você, que já amou, e agora ama novamente, porquê diabos não me contou que as coisas sempre se ajeitam? Tem segredos que poderiam salvar dias.
    Espero que eu tenha salvo o seu.
    Não desista de amar.

2 comentários:

  1. Completamente apaixonado por seus textos e ti <3

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  2. Pode continuar apaixonado pelos textos, só pelos textos mesmo... :)

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