Sinceridade.



    Sexta-feira a noite, todos os restaurantes do bairro lotados. Salto altos de todos os tamanhos, ternos, vestidos, perfumes importados em grande evidência e grandes mentiras estampadas em rostos tímidos. Talita colocou seu vestido vermelho, não passou perfume algum e colocou sua unica sapatilha simpática. Simpática demais até, não fazia parte da sua personalidade lacinhos e cores pastel. Ela era safada, e se não tivesse seguido o conselho das amigas, colocaria sua roupa colada como se fosse uma versão menos gostosa da catwoman.
   Rodrigo esperava no restaurante torcendo para que a fila diminuísse até que sua décima quinta tentativa de encontro chegasse ao local. Enquanto isso, Talita respondia uma mensagem de texto para o seu futuro encontro, caso aquela noite fosse um fiasco. Ela era prevenida, ó se era. Prevenida até demais.
    Vinte minutos passaram, o celular de Rodrigo continuava sem sinal, e felizmente a fila havia diminuído pela metade. As 20:35 Rodrigo finalmente conseguiu entrar no restaurante e a mais ou menos dez minutos depois, ele a avistou. 
    - Talita, aqui! - Rodrigo falou um pouco mais alto e acenou suas mãos.
    Ela assim que detectou de onde estava vindo a voz, lembrou de outro conselho que havia recebido: sorria! Ela sorriu, caminhou até a mesa, Rodrigo se lembrou de puxar a cadeira, e lhe deu um beijo no rosto sem tentar tirar lasquinha alguma. Boa, nota dez nas normas babacas de encontro!
    - Vamos combinar uma coisa antes de começarmos esse encontro? - Talita perguntou.
    Rodrigo achou estranho a pergunta, mas concordou.
    - Eu estou simplesmente cansada de tentar um achar um príncipe encantado. Que tal os dois serem totalmente sinceros, e se isso não funcionar, simplesmente dividimos a conta pela metade e cada um pro seu canto?
    Rodrigo demorou alguns para entender o que havia escutado. Ela queria sinceridade? Ótimo, ele odiava ter que ser algo que não é em troca apenas de uma noite em um quarto de motel.
    - Tudo bem, vamos começar. Eu gostei do seu cabelo.
    - Eu odiei sua gravata, gosto de camisa aberta.
    - Eu achei que seus peitos fossem maiores.
    - Todo mundo acha, aquela foto que você viu estava com um sutiã de bojo. Desculpe por essa decepção.
    - Não ligo muito pra peitos. Pelo menos você tem pernas bonitas.
    - Eu ligo se você tiver pelos na barriga. Odeio isso. Você não tem, tem?
    Rodrigo franziu a testa.
    - Não, não tenho.
    - Por que franziu a testa?
    - Nunca vi uma mulher que liga-se pra pelos na barriga.
    Talita riu.
    - Todas ligam. É feio, e desnecessário. 
    - Anotado.
    O garçom interrompeu a conversa. Rodrigo pediu um refrigerante, e Talita um copo de chop.
    - Você quer casar?
    - Sim, estou no meu décimo quinto encontro. 
    - Mas você vai casar assim, do nada?
    - Claro que não, antes vou terminar essa conversa sincera e ver se fico solteiro pra sempre ou me caso com você.
    - Casar comigo? Eu já até marquei o meu próximo encontro enquanto vinha pra cá.
    - Então você vai ter que cancelar.
    - Quer sair daqui?
    - Quero.

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